Carta de Apresentação

Minha carreira já passou pelo setor público, empresas privadas e teve contratos de trabalhos em todos os regimes, mas sempre houve um fio condutor que me orientou desde o início, a vontade de entender melhor o processo de concepção de um empreendimento imobiliário. Ainda na faculdade de arquitetura, me interessava mais pela discussão do que deveria ser projetado em uma área ao invés do ato de projetar em si. Como essa não era a tônica do curso, aliás, de nenhum curso de graduação, procurei vagas profissionais que pudessem contribuir com esse propósito.

Iniciei atuando na Secretaria Municipal de Habitação da Prefeitura de São Paulo, trabalhando com urbanização de favelas. Por se tratar de uma atuação muito complexa, é necessário realizar um diagnóstico extenso antes de iniciar uma intervenção no território. O projeto precisa tentar minimizar os impactos, com menos remoções de famílias, porém não pode deixar de intervir em ambientes insalubres que precisam de melhorias. Outro problema é que o número de assentamentos precários no município é muito grande, já o orçamento da Secretaria é limitado. Por isso, bons resultados dependem de planejamento minucioso, flexibilidade na implementação e foco na garantia de direitos. Depois de quatro anos de intensa dedicação, assumi a coordenação de projetos de grandes porções da cidade. Contudo, me frustrei com as limitações do setor público, que oscila demais a cada mudança de gestão e acaba abandonando muito do que estava e curso na gestão anterior.

Entendi que deveria migrar para o setor privado e assumir riscos maiores para ver o resultado do meu esforço profissional de maneira mais direta. Com isso, aceitei o desafio de estruturar uma equipe de projetos de uma construtora de empreendimentos residenciais populares. Por trabalhar com o financiamento do Programa Minha Casa, Minha Vida, a empresa dependia de encerrar um empreendimento com sucesso para obter maior limite de recursos para o próximo. Tínhamos pouco espaço para erros e precisávamos de uma sequência de acertos para ganhar escala. Felizmente, conseguimos estabelecer um pipeline exitoso que permitiu sairmos de condomínios de 6 casas em Campo Grande (MS) para edifícios de mais de 200 apartamentos em São Paulo (SP). Por ter atuado desde a escolha dos terrenos, passando pela concepção, aprovação, vendas, construção e pós-obra, aprendi muito sobre o ciclo da Incorporação. Infelizmente, o crescimento do número de empreendimentos não foi acompanhado pelo crescimento da minha equipe. Avisei aos sócios que estava impossível conseguirmos atender à crescente demanda e que iríamos começar a acumular erros. Minha saúde física e mental piorou consideravelmente, me levando a buscar uma nova oportunidade.

Minha intenção era ampliar meus conhecimentos para além da incorporação residencial e, quando surgiu a chance de atuar em um fundo de estruturação imobiliária, vi que era o melhor a fazer. O que mais me atraiu era a forma diferenciada de trabalho dessa empresa, que buscava oferecer consultoria para empreendimentos complexos como uma maneira de ganhar participação neles. Explicando melhor, nós éramos chamados para tentar resolver algum problema bastante difícil. Trabalhávamos no risco, sem cobrar nada em caso de insucesso. Caso obtivéssemos o resultado desejado, não éramos remunerados por isso, mas sim, cobrávamos o direito de participar do empreendimento. Ou seja, poderíamos injetar o dinheiro dos nossos investidores na proporção dos lucros que gostaríamos de auferir. Desta forma, foi possível participar de empreendimentos comerciais, loteamentos, infraestrutura e outras áreas pouco convencionais no mercado de Real Estate. Para complementar minha capacidade analítica, aproveitei para ingressar no MBA de Real Estate da Escola Politécnica da USP. Contudo, a pandemia restringiu muito o alcance deste modelo, fazendo com que a empresa mudasse sua atuação para a incorporação residencial. Como o foco do meu trabalho era a consultoria em si, optei em comum acordo por buscar uma nova oportunidade.

Isso me levou à minha última experiência, que agregou todos os conhecimentos construídos até então. Fui trabalhar como especialista de incorporação em uma empresa de shopping centers e centro de exposições que estava querendo mudar sua atuação para o setor de Real Estate. Por ter grandes áreas de estacionamento descoberto que atendiam aos negócios existentes, a empresa avaliou que seria mais proveitoso adensar os estacionamentos em de-parkings, liberando espaço para construção de um bairro em quase 40 hectares. Isso exigiu a criação de um Masterplan e análise de viabilidade financeira desses diversos empreendimentos. Pude aplicar o conhecimento do meu MBA e dos empregos anteriores e obtive grande êxito, sendo promovido por duas vezes até o cargo de gerência e acumulando responsabilidades crescentes. Com isso, sino que pude encerrar um primeiro ciclo de desenvolvimento profissional, consolidando minhas competências técnicas nas áreas de arquitetura, incorporação, legalização, finanças e patrimônio. Agora, percebi que preciso investir no meu crescimento como gestor, habilidades que também pude desenvolver ao longo da minha carreira, mas de forma mais incipiente. É isso que me leva a buscar alternativas de carreira que estejam atreladas a cargos executivos e de gestão, para poder repassar minha experiência e formar novas equipes e profissionais.


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